Nosso
encontro iniciou-se com o relato de experiências de diferentes
grupos. São elas: Programa de Educação em Valores Humanos,
desenvolvido na cidade de Palotina, no Paraná; o Projeto
“Plugados na Educação”, da Cidade de São Paulo; e o projeto
“Parceiros do Futuro”, da Secretaria da Educação do Estado de São
Paulo.
Estes
relatos, apesar de serem provenientes de diferentes correntes metodológicas
e filosóficas, tiveram como principal ponto de convergência
seu marcante engajamento na construção de propostas concretas em
Educação para a Paz. Envolvem a criação de profundos laços e
redes de apoio mútuo com a comunidade beneficiada.
O
compartilhar destas belíssimas experiências nos levou a refletir e a
concluir que, a construção de uma Cultura de Paz na educação,
e através da educação é, provavelmente, a maior urgência que
temos pela frente, não apenas em escala nacional, como em escala
planetária.
Vivemos
em um período histórico marcado por um desafiador momento de transição,
no qual as diferentes estruturas educacionais deverão estender seu
abraço às ciências, às artes e às espiritualidades. No que diz
respeito à educação temos, coletivamente, por principal missão,
preparar os jovens e crianças para atingirem planos de consciência
mais elevados, engajados com a prática do bem comum, formando um
cidadãos envolvidos com sua coletividade.
Nosso
diálogo nos levou a refletir sobre as dificuldades do percurso. Em um
país marcado pelas tristes chagas da exclusão social e pelo
enfraquecimento da escola pública, como trabalhar para a formação
da nossa infância e da nossa juventude, abarcando o indivíduo
em toda sua totalidade sem privilegiar, apenas, sua dimensão
racional, intelectual., cognitiva?
Enfim,
como educar e formar mulheres e homens éticos? Tivemos como primeira
conclusão em nossa reflexão, que uma etapa fundamental do processo
é a formação dos educadores. Foi consenso que caberá, às políticas
públicas, traçar estratégias para formar educadores onde estes se
sintam valorizados e acolhidos no que diz respeito à sua missão. È
fundamental trabalhar para o fortalecimento de sua
auto-estima e criar espaços de diálogo para que os professores
possam compartilhar seus acertos, dificuldades e possam alimentar seu
trabalho através das lições de vida provenientes de diferentes
experiências exitosas.
Foi
consenso que a Educação para a Paz, não consiste apenas em uma
formação técnica, mas integral, que não pode ficar limitada a
assuntos do universo acadêmico. Concluímos que temos pela frente a
realização de um amplo trabalho de resgate, cuja primeira jornada
está no reencontro de nossa criatividade e no resgate da arte no
cotidiano da escola.
A
arte possui a capacidade mágica de abrir portas que unem a razão com
a emoção, cognição com a sensibilidade. Poderá permear o
desenvolvimento de todo o currículo escolar e conectar jovens e
educadores com sua capacidade de transformação e de transcendência.
È uma importante ferramenta para descolar o aprendiz de um estado
centrado em sua individualidade, para outro de conexão e interdependência
com o coletivo e o universal, do qual faz parte, e para o qual é também
o germe criador.
Discutimos
também, que uma tarefa da Educação para a Paz é resgatar a
sabedoria popular, onde é cada vez mais importante uma ação
educacional que forme cidadãos do mundo sem renunciar jamais,
à sua própria cultura, às suas próprias raízes, contribuindo para
o crescimento da paz de todos os povos. Uma educação fundamentada no
diálogo, na solidariedade e na participação de todos os segmentos
da sociedade, acentuando a humanidade que nos une em detrimento das
diferenças que nos separam.
Concluímos
que a educação para a Paz se constrói no relacionamento humano, não
pertence simplesmente ao campo das palavras e das idéias, mas
torna-se viva em nossas emoções. Pois só podemos resgatar um ser
humano atingido pela dor e pela violência se estabelecemos com ele
uma linha mágica de conexão, através do acolhimento, do olhar, do
tocar e do falar. Tais resultados, muitas vezes, são difíceis de
quantificar, são intangíveis para a rigidez dos trabalhos acadêmicos,
mas são a mola mestra para a evolução do mundo.
Foi
consenso que, no plano das políticas educacionais, devemos ter em
vista a totalidade da criança que está à frente do educador, e
envolver o núcleo familiar neste processo de transformação.
Envolver pais e tutores em uma construção coletiva de mudança de
uma cultura pautada pela exclusão, fragmentação e violência, para
uma cultura de inclusão, totalidade e de educação para e pelo amor.
Um cultura que supere os mecanismos tradicionais de discussão,
punição e agressão, que muitas vezes nascem no ventre das próprias
instituições familiares, para uma cultura que privilegie o diálogo,
o acolhimento e o abraço.
Ouvimos
o relato de lindas experiências práticas ocorrendo em Altinólpois e
São Sebastião do Paraíso (MG). Debatemos acerca de acertos e
dificuldades. Discutimos a importância do encontro das religiões
neste processo de construção de uma Cultura de Paz, em favor do
cultivo do amor ao próximo, da não-violência e da reconciliação.
Nosso
encontro terminou em um clima de grande afetividade e amorosidade.
Muitos destacaram a importância destes encontros periódicos
para alimentar a construção coletiva de uma Cultura de Paz.
Lembrei-me
dos dizeres de Sófocles: A mais bela obra humana é ser útil ao próximo.
Nestas simples palavras, creio eu, podemos resumir toda nossa missão
como educadores. Sintetizam a força mágica que nos faz
reconhecer o outro em nós, que nos identifica com a humanidade
e com as forças divinas da criação. Assim, através desta simples,
e ao mesmo tempo, profunda revelação nenhuma semente de
violência têm terra fértil para germinar.